(problemas na edição, blogspot não quer cooperar)
Esse texto ainda não ficou exatamente como eu gostaria, não está falando o que eu gostaria de falar, mas depois eu leio ele novamente e tento dar uma melhorada, senão vou demorar mais um mês para postá-lo.
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A mentira é doce e tenra, com ela você pode fazer o que quiser, pode ser quem quiser, onde quiser, com quem quiser, do jeito que quiser, vendo por esse lado ela me parece mais formidável que a realidade, mas ela tem um probleminha, um único, mais sensível que o calcanhar do Aquiles e mais perigoso que nitroglicerina em um liquidificador ligado: a VERDADE.
O que estou querendo dizer não é que o caminho seja viver na mentira, não é isso, mas é que a mentira é inofensiva para todo mundo, quando a verdade não aparece. Imagine só a Patrícia Poeta aparecendo no canal de TV do Egito a 6 mil anos atrás e falando da previsão do tempo, ia desbancar o coitado do faraó e para onde iria a crença de todos sobre o Deus vivo? Por mais cabeludas que as mentiras possam ser, elas não tem efeito se as verdades não aparecerem ou se elas simplesmente não forem possíveis de serem encontradas ou entendidas.
Falando sobre esse assunto eu me lembro de dois filmes que demonstram bem o que estou dizendo, um deles é o A Vida é Bela (La Vita è Bella) e o outro é Adeus Lenin! (Good Bye, Lenin!), o primeiro é do diretor italiano Roberto Benigni e o segundo do alemão Wolfganger Becker.
Em o A Vida é Bela, pai e filho estão em um campo de concentração nazista, durante a segunda guerra mundial, só que o pai faz de tudo para que o menino não saiba que eles estão naquela situação, dizendo que tudo aquilo é um jogo. O pai mente de todas as maneiras para que o filho não conheça os horrores que estão sendo cometidos, até o momento em que o campo é libertado por soldados aliados e o garoto anda de tanque (como o pai disse que ele faria caso ganhasse o jogo).
Em Adeus Lenin!, uma senhora de meia idade moradora da parte oriental de Berlim e mãe de dois filhos, porém já sem marido, sofre um ataque cardíaco e entra em coma, porém ela fazia parte e acreditava no partido socialista, e quando acorda o muro de Berlim já foi derrubado, e a mãe soviética não apita mais nada por lá, o capitalismo já tomou conta de tudo. O filho fica sabendo por via do médico que sua mãe não pode ter fortes emoções, e por isso decide fazer de tudo para manter a República Democrática Alemã ainda viva, criando programas de televisão, reutilizando embalagens de antigos artigos do dia a dia com produtos novos, resumindo, ele consegue fazer com que sua mãe não saiba de nada, e que tudo acontece aos poucos, até um certo dia que ela descobre que a Alemanha se reunificou (mas não como conhecemos), e depois disso só vive mais três dias.
Em ambos os casos o enganado não sabia o que estava acontecendo, a mentira foi tão bem maquiada que aquilo para eles era uma verdade incontestável. Fazer com que alguém acredite em algo que não existe, sempre me pareceu absurdo imoral e antiético, mas em casos, não somente como nos filmes, mas em outros também, talvez seja a única saída. O que fazemos não é criar alguma coisa do nada, mas transformar uma verdade perigosa em uma mentira saudável.
E a verdade não é somente o despertador chato que nos acorda de um sonho bom, mas é também um delineador de mentiras e de realidades, que é manipulada pelos pontos de vista de quem a conhece, mas isso fica para um próximo bat-texto nesse mesmo bat-blog.